segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Triste Testemunho

Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me nomomento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Daneminha amiga escrever esta carta que seráendereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que sejatarde demais:Eu era uma jovem 'sarada', criada em uma excelentefamília de classe média alta Florianópolis. Meu pai éEngenheiro Eletrônico de uma grande estatal e procurousempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom eo que tem e melhor,inclusive liberdade que eu nunca soubeaproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo emanequim para a Agência Kasting e fui até o final doconcurso que selecionou as novas Paquitasdo programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer umBook na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava aatenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de'Floripa', Coração de Jesus. Tinha todos osgarotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinema,curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor aoferecer às pessoas saradas, física e mentalmente.Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destinocomeçou a mudar em outubro de 2004. Fui com uma turma deamigos para a OKTOBERFEST em Blumenau.Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem maisapego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no'Bude', famoso barzinho na Rua XV. À noite fomos ao 'PROEB' e no 'PavilhãoGalego' tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimentação de gente era trimaneira''. Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomavaescondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinhaficado bêbada. Na quinta feira, primeiro dia e OKTOBER,tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira'doidona', beijei uns 10 carinhas, inclusive minhasamigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado comguaraná para enganar os 'meganha', porque menornão podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e osotários' não percebiam.Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quaseem coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros.. Deram-me umasinjeções de glicose para melhorar. Quando fuiao apartamento quase 'vomitei as tripas', mas o meugrito de liberdade estava dado. No dia seguinte aquela dorde cabeça horrível, um mal estar daqueles comotensão pré-menstrual. No sábado conhecemos uma galera deS. Paulo, que alugaram um ap' no mesmo prédio. Nemimaginava que naquele dia eu estava sendoapresentada ao meu futuro assassino. Bebi um pouco nosábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30 h damanhã fomos ao 'ap' dos garotos para curtir orestante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famosobaseado'Cigarro de Maconha', que me ofereceram.No começo resisti, mas chamaram a gente de 'Catarinacareta', mexeram com nossos brios e acabamosexperimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, debaixo astral, mas no dia seguinte antes de ir emboraexperimentei novamente. O garoto mais velho da turma o 'Marcos', faziacarreirinho e cheirava um pó branco que descobri sercocaína. Ofereceram-me,mas não tive coragem naquele dia.Retornamos a 'Floripa' mas percebi que alguma coisatinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novasexperiências, e não demorou muito para eu novamentedeparar-me com meu assassino 'DRUGS'. Aos poucos, meus melhores amigos foram se afastando quandocomecei a me envolver com uma galera da pesada, e semperceber, eu já era uma dependente química, a partir domomento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano.Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada comesterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com ummonte de porcaria.Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína comsangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos nãocompartilhávamos a seringa e sim, o sangue que cadaum cedia para diluir o pó.No início a minha mesada cobria os meus custos com asmalditas, porque a galera repartia e o preço eraacessível. Comecei a comprar a 'branca' a R$ 10,00o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$20,00 a boa, e eu precisava no minimo 5 doses diárias.Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus'novos amigos'. Às vezes a gente conseguia o'extasy', dançávamos nos 'Points' a noiteinteira e depois... farra!O meu comportamento tinha mudado em casa, meus paisperceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que elesnão tinham nada a ver com a minha vida... Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender outrocar por drogas... Aos poucos o dinheiro foi faltando epara conseguir grana fazia programas com uns velhos quepagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário paraconseguir dinheiro. Aos poucos toda a minhafamília foi se desestruturando.Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação. Meus pais, sempre com muito amor, gastavam fortunas paratentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, maslogo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola,bons amigos e família.Em dezembro de 2007 a minha sentença de morte foidecretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS,não sei se me picando, ou através de relações sexuaismuitas vezes sem camisinha.Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque oshomens pagavam mais para transar sem camisinha.Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço,foram acabando, família,amigos,pais, religião, Deus, atéDeus, tudo me parecia ridículo.Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca voudeixar de amá-los.Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu ajoguei pelo ralo. Estou internada, com 24 kg, horrível,não quero receber visitas porque não podem me ver assim,não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coraçãopeço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca...Você com certeza vai se arrepender assim como eu, maspercebo que é tarde demais pra mim. OBS.: Patrícia encontrava-se internada no HospitalUniversitário de Florianópolis e a enfermeira Danelise,que cuidava de Patrícia, veio a comunicar que Patríciaveio a falecer 14 horas mais tarde depois que escreveramessa carta, de parada cardíaca respiratória emconseqüência da AIDS.

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